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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Aos filhos

A filha do agricultor
Hoje tem aula com doutor
O filho do marceneiro
Vai ser formar em engenharia
E matar a família de alegria
O filho do caminhoneiro
Também vai se tornar engenheiro
A neta criada pela avó
Passou em primeiro lugar na UFSCAR
O filho da doméstica solteira
Passou em medicina
Bateu assas e foi pro México.
O filho da enfermeira se tornou professor
A ex cozinheira não desistia
Hoje e formada em pedagogia
Quanto filho de trabalhador
Se formando doutor
Quantas aulas deixaram de matar!
 Se mataram de estudar
Em cursinho popular
 E tiveram que provar
Que universidade é lugar
Da classe popular.                                                


Joey é escritor autodidata

sábado, 14 de novembro de 2015

Um sábado a mais!


            O governador inventou um tal de reorganização, porém de forma desorganizada. Às pressas fecha escolar e realoca alunos gerando insegurança em professores e na população.
            A última, é obrigar professores trabalharem aos sábados. Leio nos meios de comunicação o lema “Pátria Educadora”, porém que pátria é esta que no primeiro aceno de crise corta na carne os investimentos na educação? Reunião de pais em escola da quebrada é o maior barato, de sábado nem se fala e com desorganização fica transcendental.
            Avisar os tiozinhos que uma ponte divide um bairro da escola e por isso o filho terá de estudar em outra escola, muito mais distante de sua casa. A esmagadora maioria destes são pessoas simples, sem instrução, que não sabem si quer, a série que o filho estuda, não indagam nada.
            - Só sei que ele estuda nesta escola a tarde, agora a sala eu não sei.
            - Por que eles estão mudando de escola?
            Não me atrevo a explicar os malabarismos desastrosos efetuados nos últimos vinte anos, sabe por quê? Pois a tiazinha quer colocar o dedo no tinteiro de carimbo, passar na folha e ir para casa cuidar dos afazeres domésticos.
            - Mas por que mesmo que o Junior vai mudar de escola?
            -Senhora para renovar a matrícula, preciso que traga  Xerox do RG, comprovante de residência e duas fotos 3X4.
            - RG ele não tem, onde tira isso? Comprovante de residência, eu mudei e ainda não chegou nenhuma conta e olha que conta é o que mais tem pra pagar. Agora o retrato, quando “for na” cidade, ele tira.
            A quebrada é tão distante do centro que nem é considerada cidade. Longe dos serviços públicos básicos, sem correio, caixa eletrônico, pronto-socorro. Agora igrejas evangélicas, bares e biqueiras concorrem pelas pobres almas que ali subvivem.
            - Discurpa perguntá! Por que ele vai ter de mudar de escola?
            - Vai mudar de escola pelo mesmo motivo que os professores não receberam reajuste salarial este ano.
            - E qual o motivo fessor?
            - Porque o governador quer!
            - Mas quer o que?
            - Quer acabar com a educação e em contra partida construir presídios.
            - Então o Junior, ano que vem vai estudar na escola do morro!

            O Junior que na certidão de nascimento não tem pai, em breve também corre o risco de não ter escola, e se não ter escola é sinônimo que também não tenha comida, e eu não sei se vivo ou morro de pena desse povo sofrido! 

Joey é escritor autodidata.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

População segundo instrução, nacionalidade e sexo por paróquia

Colônia Italiana em Mococa-SP. Foto sem data e identificação.


Estado de São Paulo - 1890

Cidade - Mococa

Paróquia- São Sebastião da Mococa

Homens - 705

Mulheres - 392

Total brasileiros alfabetizados - 1.097

Homens - 336

Mulheres - 101

Total de estrangeiros alfabetizados - 437

Homens brasileiros e estrangeiros não alfabetizados - 3.739

Mulheres brasileiras e estrangeiras não alfabetizadas - 3.660

Total de não alfabetizados - 7.399

População Geral - 8.933


Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Educação em Mococa

Escola Barão de Monte Santo. Década de 1910

Conforme escolhido pelos leitores na ultima enquete. O tema desta postagem foi Educação. Para discorrer sobre o presente tema diga-se de passagem um tanto quanto polêmico. Que a cada dia, semana, mês e ano é foco de simpósios, encontros, fóruns, debates e palestras em escolas, faculdades, centros universitário e universidades do Brasil e do mundo.

No principio da povoação não existiam escolas. Porém existiam professores que se dedicavam a educar os filhos das elites, dentro de suas próprias casas grandes. Partindo do ponto de vista de Karl Marx, da luta de classes: “Saber é poder”. E neste caso o saber era privado aos filhos das elites que posteriormente eram encaminhados para estudarem nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Segundo consta na bibliografia de Queiróz, os primeiros colégios a surgirem são na ultima década do século XX. Colégio Miranda criado em 1891. Em seguida o Colégio Oliveira e Colégio Infantil. Década ascensão econômica e progresso urbanístico. A qualidade de ensinos destes colégios passava por diversas criticas na época. De nível Secundário.

Para melhor ilustrar este artigo alguns dados do censo de 1892.

População Geral - 7731

Alfabetizados - 1579

Analfabetos – 6152

Fica claro o auto índice de analfabetismo da população. E mais ainda que as escolas eram privilégios para poucos no final do século XIX. Conforme a escola libertária afirma: “Quem sabe manda”. E neste caso as elites cafeeiras e seus descendentes.

A “Escola Barão de Monte Santo”, primeira escola pública da cidade. Fundada em 1901 e depois instalada mais tarde em 1913, no atual Prédio tombado pelo Governo do Estado, na ultima década do século XX. Esta de nível primário

Entre 1915 fora instalada em Mococa a Escola de Farmácia, que infelizmente em 1918 sem justificativa voltou a funcionar em Ouro Fino-Minas Gerais.

Em 1924 é inaugurado o educandário para meninas. Colégio Maria Imaculada, serviços estes prestados pelas Irmãs Concepcionistas.

A Escola Profissional Mixta “ Cel. Francisco Garcia” fundada em 1932, criada por fazendeiros, professores, industriais, comerciantes, lideres políticos e profissionais da saúde. Criada para preparar mão-de-obra qualificada. Paulatinamente as outras escolas foram sendo criadas e fará parte de outras postagens do blog muito em breve.

Em relação à educação os dados históricos não são nada agradáveis, pois o analfabetismo era alarmante. E isso com o decorrer do século esta sendo reparado. Conforme Paulo Freire (1921-1997) “ Uma das condições fundamentais é tornar possível o que parece não ser possível. A gente tem de lutar para tornar o possível o que ainda não é possível.Isto faz parte da tarefa histórica de redesenhar e reconstruir o mundo.”

Ficando assim o desafio para os educadores não só de Mococa assim como do mundo todo.

Fontes:

Queiróz, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

Gallo, Silvio. Educação anarquista: um paradigma para hoje. Piracicaba, 2007. Brasilia.

Freire, Paulo. Para educadores.São Paulo, arte e ciência.1998.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com