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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O DIA EM QUE MORRI



Nasci em uma pacata cidade interiorana no nordeste do estado de São Paulo. Conhecida como Mococa. Como ocorre em toda cidade pequena, pude sentir na pele o que vem a ser o provincianismo. Minha mamãe querida desde muito cedo me ensinara o caminho das letras. Matriculando-me em escolas públicas e acompanhando meus estudos. Cobrando as tarefas diárias intermináveis enviadas pelas professoras.
Com 12 anos de idade aprendi o meu primeiro oficio com papai. Ajudante de pintor de parede. Trabalhava meio período e estudava à tarde. Cresci no bairro da Mocoquinha, onde ainda tenho amigos de infância e de parte da adolescência, tenho um profundo carinho pelos moradores de lá. Minha casa situava-se nos fundos da casa de vovó, uma doce pessoa que, recentemente, completara 94 anos de idade. Vendia seus doces de leite invejáveis no bairro. Quando acordava brava, chegava ao ponto de chamar Deus e o Diabo na ponta da faca!
Minhas férias escolares sempre passei no distrito de Milagres – MG, na casa de minha outra vovó. Andava a cavalo, nadava no rio das areias, invadia pomares dos vizinhos sem ser autorizado, tomava refrigerante de uma maneira peculiar, através de um furinho na tampinha para tomar bem devagar e demorar acabar. O café da manhã aprendi com vovô, que comia farinha de milho com leite de vaca. Bebia garapa, corria atrás de vagalumes na escuridão e escutava histórias de meter medo sobre o período da quaresma, que diziam que não se poderia sair à noite. Mas eu adorava a quaresma sabia? Por um único motivo: vovó dizia que, na quaresma, não podia bater em crianças, mas no sábado de aleluia, sim.
Sempre fui um menino levado, que sentava nas carteiras dos fundos da sala de aula. Recordo do fato que, para eu não falar com os outros alunos de minha sala, atrapalhando sua atenção à aula, me isolaram na frente de todos. Mesmo assim eu cantarolava sozinho. Não levava a sério os estudos. No entanto quando prestei o vestibulinho para a escola “Industrial”, por incrível que pareça, passei. Nessa instituição conclui o ensino médio e técnico que eram concomitantes. Terminara o ensino médio com o sonho de ingressar em uma Universidade Pública.
Trabalhei como pintor de paredes, segurança noturno, fazia e vendia artesanatos, tocava em bandas de Punk Rock, estampava camisetas, vendedor de roupas, até conseguir meu primeiro emprego de vendedor em um comércio da cidade, este com carteira registrada, depois ainda trabalhei em outra loja. Neste período continuei meus estudos, fazendo espanhol em um sindicato, e ingressei no ensino técnico no curso Turismo, assim me reaproximei do ambiente escolar, pois não tinha condições de pagar um cursinho.
Depois de muita insistência em três anos consecutivos, eu consegui finalmente ingressar na Universidade Estadual Paulista campus Franca. Pedi demissão de meu emprego para viver meu sonho que buscava há tempos. Fui bolsista durante três anos na faculdade, tinha de ter ótimas notas e não faltar às aulas, caso contrário, perderia o auxílio. Afirmo com toda certeza do mundo: foi o melhor período de minha vida, de amadurecimento, superação de dificuldades, das saudades da família e amigos, formação de novo círculo de amizades, que permanecem até os dias atuais e, principalmente, pelo conhecimento adquirido, tanto dentro da universidade assim como na vida cotidiana fora dela. Fiz viagens com a faculdade a congressos que me permitiram conhecer boa parte do Brasil, e vivenciar outras realidades.
Se é que existiu um dia mais feliz de todos em minha vida, este foi o dia de minha formatura. Estava estampada no rosto de meus pais a alegria, satisfação e o orgulho por aquela conquista, na qual eles tanto me apoiaram para que fosse atingida.
Ficou a saudade dos amigos, cada qual seguiu seu caminho, para lugares distantes. Permaneci em Franca de 2004 a 2009. Depois de me formar ainda lecionei por 2 anos em escolas públicas, fui professor de um cursinho popular da UNESP, voluntário sem remuneração. Consegui concluir um curso de pós-graduação na mesma instituição.
Depois de todo este tempo envolvido no meio acadêmico e em sala de aula, resolvi realizar o que considero a coisa mais incrível de minha vida. Viajar pela América Latina de carona com muito pouco dinheiro. Conheci quase toda a Bolívia: Lago Titicaca e Isla Del Sol, escalei a mais de 5620 m de altura na Cordilheira dos Andes. Boa parte do Peru, incluindo Puno, a capital folclórica deste país, Cusco, a capital Inca e Machu Picchu, um lugar simplesmente indescritível. Também não poderia deixar de conhecer o Chile e o Deserto do Atacama, o local mais árido do mundo. Banhei-me no Oceano pacifico, senti temperaturas que variaram abaixo de –20ºC, a +45ºC. Depois de passado um ano de férias merecidas andando pelo Brasil e América Latina, eu voltei a minha cidade natal, mas não seria para ficar para sempre.
Meus familiares necessitavam de minha presença para resolver coisas pessoais. Voltei meus estudos para as provas de concursos, retomei o estudo de línguas autodidata. Fiquei mais próximo de familiares e amigos. Só que havia esquecido o funcionamento das coisas por aqui. Pois ficara por 6 anos vivendo outra realidade, distinta em uma série de fatores. Literalmente depois e tomar vários banhos de multidões cosmopolitas não me lembrava do marasmo provinciano da terra natal.
Tentei transplantar idéias que conheci e vivenciei em outros lugares. Busquei à minha maneira, alguma forma de transformar a realidade da cidade. Só não sabia que ao ser reconhecido por poucos, muito poucos mesmo, eu estaria gerando sensações de mal estar, ciúmes, inveja e seja lá qual for à palavra para descrever o sentimento que ocorrera em muitas pessoas. Busquei entender o porquê, não consegui, talvez seja porque elas por aqui ficaram e em nada mudaram. Enquanto eu, o “Outsider” voltei com intuito de transformação o que foi confundido com “vontade de aparecer”.
De certa forma fui incompreendido tanto pelas elites e pelos mais abastados. Fui julgado e condenado pela esquerda assim como pela direita. Dessa forma fui condenado ao esquecimento, fui boicotado e tive de tomar diversos cuidados, pois ambos os lados queriam a minha cabeça, creio que o fato de sempre dizer o que penso. Ou ainda pelo fato de eu ter conseguido realizar meus sonhos e ter vivido uma vida íntegra e feliz. Por onde quer que eu tenha passado fiz amizades de valor inestimável.
Aprendi a não ter apego a bens materiais, preferi conhecer lugares à comprar um carro, escolhi pagar cursos de línguas à comprar computadores, consegui me desmaterializar.

Charge em alusão ao filme O sétimo selo.Bergman.1957
É chegado meu dia. O dia amanhece frio, cinza e triste. Chegara a minha hora. O tão esperado encontro com quem jamais queremos nos encontrar. Ela já estava a minha espera há tempos, nunca tive medo dela, sempre a encarei com naturalidade.
Antes disso, um velório simples, sem muitas cerimônias e honras, nada de flores, nem faixas, conforme eu havia pedido já previamente a minha família e amigos. Tocou-se muita música e, do lado de fora, servido cachaça.
 Também não percebeu-se choros, pelo contrário, muitas gargalhadas foram dadas com a lembrança de minha pessoa: engraçada, polêmica, provocadora, contraditória, encantadora, fiel, leal e amiga. Amigos vieram de muito longe para prestar suas últimas homenagens. Centenas de pessoas passaram pelo meu corpo, claro que a esmagadora maioria, para se certificar de que eu estava realmente morto.
Durante o velório entrara uma pessoa vestida toda de preto e encapuzada, esta descarregou uma arma em meu cadáver em exposição. Queria  certificar-se que eu estava morto. Ou seja, a morte viera me visitar duas vezes, ela também teve sentimento de repulsa por mim, pelo fato de ter vivido uma vida inteira à minha maneira, buscando ser feliz, sem invejar o próximo e muito menos desejar o mau a qualquer pessoa.
No enterro, assim como durante minha curta vida, não faltaram mãos para me empurrar para baixo. Misturado a terra havia centenas de quilos de sal marinho. Pois mesmo com a certeza de que eu estava realmente morto, depois de passar por duas autópsias e ficar sendo velado 24 horas, queriam ter a certeza de que ali não iria nascer nenhum ser vivo. Teve até um abaixo assinado on-line a favor de meu corpo ser cremado e da não doação meus órgãos.

Na lápide de pedra, bem humilde, esta estampada a seguinte frase: AQUI JAZ UM HOMEM QUE MORRERA REALIZADO E FELIZ.
Acontece que todo o ódio, rancor, ganância, falsidade, inveja e mesquinharia, ainda perpetuam nos corações mais infelizes e amargurados nos mais diversos cantos da cidade, em todas as classes sociais e políticas. E somente agora que me mataram por duas vezes pude entender que a principal regra de convivência, para parte da população desta cidade em que nasci é: “É PROIBIDO SER FELIZ”.  Eu ousei desrespeitá-la sem saber e paguei o preço. Nada mais justo, para eles é claro.
É preferível ter uma vida curta e FELIZ do que uma vida longa e repleta de INFELICIDADE.

Gustavo de Souza Pinto.  FOI (Técnico em Desenho de Arquitetura, Técnico em Turismo, Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)
Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

sábado, 2 de abril de 2011

Cine Mococa


Primeiramente gostaria de deixar claro que não pretendo demonizar nenhuma gestão de diretoria e nem mesmo endeusar a atual ou anteriores. Acredito que agora não seja hora de “culpabilizar” e sim de mobilizar e buscar revigorar o único cinema da cidade.

O cinema considerado templo incontestável do entretenimento. Desde seu surgimento muito antes da invenção da televisão, sempre ditou moda, incentivou a mudança de comportamentos, influenciando gostos, moldando os telespectadores por meio da emoção. Ou seja, além de templo do entretenimento se transformou no decorrer do tempo também em templo das emoções. Tornando Possível o exercício do estar junto, do compartilhar sentimentos, e de fortalecer os laços afetivos.


Uma coisa é fato, o patrimônio material sempre vai ser patrimônio material. Ou seja, o prédio do cine Mococa sendo cinema ou se transformando em templo religioso não vai deixar de ser lembrado como patrimônio material desde que não seja modificado a sua estrutura física. E às vezes as pessoas confundem isso, ou si quer entende o significado da palavra patrimônio. O que desapareceria seria a cultura do cinema, neste caso o “patrimônio imaterial”. Sendo assim o templo do entretenimento se transformaria em templo religioso como ocorrera na maioria das cidades interioranas. Os templos do consumo “shoppings” que abriga os tempos do entretenimento, “cinemas”. Acontece que no caso de Mococa, não existe o templo do consumo. Assim seria extinto o único templo do entretenimento. De pensar que em épocas áureas tivemos dois cinemas e ambos de casa cheia. O que ocorrera para tamanha degradação e falta de procura ? Busquemos compreensão através dos fatos.

Acontece que o tempo passa. As gerações mudam de mentalidade e o costume de ir ao cinema, paquerar, sair e ir a praça ver a banda tocar não faz parte da mentalidade dos jovens. É a geração tecnológica Orkut, MSN, face book, twitter... A geração liquida. O vinil foi substituído pelo CD, o VHS pelo DVD e agora já se fala em Blue Ray. Ou seja, as tecnologias são substituídas conforme as descobertas, umas ficam obsoletas e outras mais avançadas. Antes de um filme estar na telona já é possível baixá-los pela internet e colar a legenda. Porém não é a mesma coisa assistir em casa, o individualismo tomou conta da sociedade contemporânea. Para que se reunir no cinema se é possível falar com diversas pessoas pelo MSN? Pipoca só de microondas, os pipoqueiros foram aposentados ou trocaram de profissão, agora se tornaram vendedores de yogurt congelado.

Infelizmente o ser humano desde os primórdios só aprende a dar valor em determinadas coisas quando as perdem. No nosso caso ainda esta em tempo de valorizarmos antes que percamos o ultimo cinema da cidade e que fiquemos sem uma das poucas formas de entretenimento que ainda resiste no “sertão do pardo”.

Associe-se, freqüente o cinema. Convide familiares, amigos, leve as crianças, os idosos. E porque não a paquera, pois beijar no escurinho do cinema jamais vai ser démodé.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

sábado, 19 de março de 2011

O que é Caipira? E o falar do caipira?

Segundo a Bibliografia especifica do termo os historiadores:

“ O termo caipira expressa um modo de ser, um tipo de vida, nunca um tipo racial, restringindo-se a história paulista”. Segundo (CANDIDO, 1987).

“Caipira era o individuo nascido e criado fora da cidade. Geralmente trabalha em sua própria terra, mas quando isto não é possível, trabalha jornal, em terras de outros como camarada.Os homens, mulheres e crianças ditos caipiras ocupavam uma extensão de terra e lá ficavam suas benfeitorias e plantações, tiravam daí o sustento e elaboravam, em torno do rancho, um modo de viver, comer,acreditar e trabalhar, que não impediu sua articulação com o conjunto de sociedade.” (Pires,1922).

O português brasileiro regionalizado falado na divisa do Estado de São Paulo com Minas Gerais, onde se situa a cidade de Mococa. Tem um sotaque diferenciado e característico, com um falar popular diferenciado das demais regiões de ambos os Estados.

Foto de uma Carroça de leite. Mococa-SP 1922

E como esta forma lingüística regional não convencional ao ser falada em outras regiões do país e principalmente na capital do Estado de São Paulo, sofre o estigma. Muitas vezes não é considerada correta, vista como feia e vulgar. Porém estudos como do sociolinguista Marcos Bagno, que afirma do ponto de vista da lingüística cientifica, não existe nenhuma diferença entre ”nós vamos” e nóis vai”. É óbvio que não se vai escrever dessa maneira, o que importa é que quem fala e quem escuta se compreenda.

Ocorre desta foram uma discriminação desta linguagem regional carregada de sotaques e expressões que ao ouvinte desavisado parece estranho e muitas vezes se confunde com algum dialeto.

Porem buscando compreender mesmo que superficialmente, como se constituiu a formação desta linguagem em uma mistura de português de Portugal com línguas indígenas, posteriormente com dialetos africanos e línguas européias como o italiano, espanhol e também árabe. Desta forma a linguagem regional se transformou paulatinamente com o decorrer do tempo.

Foi da fusão cultural que surgiu essa linguagem regional, considerada caipira. Carregada de preconceito esta rica linguagem regional heterogênea é fruto de costumes interioranos, musica típica, culinária, crenças e dentre outros fatores que caracteriza o porquê de se utilizar esta linguagem.

Bibliografia:

CANDIDO, Antonio.Os parceiros do rio Bonito: Estudos sobre caipira paulista e a formação dos seus meios de vida.7 Edição, São Paulo: Duas cidades, 1987.

FREITAS, Edgar. Mococa 100 de História, 1847-1947.Mococa,Gráfica Costal,1947.

PIRES, Cornélio. Conversas ao pé do fogo: Estudinhos, costumes, contos, anedotas e scenas da escravidão. São Paulo: Imesp, 1922.

QUEIRÓZ, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

domingo, 1 de agosto de 2010

Igreja Matriz de São Sebastião de Mococa Aspectos de sua pintura interna



A Igreja Matriz de São Sebastião de Mococa, denominada simplesmente de “Matriz” pela população, teve sua pintura e ornamentação interna executadas em três fases a saber:

-A partir de 1890, a cidade passa a contar com grande número de imigrantes italianos. Dentre eles o pintor Elia Napoli, que, com a construção da Igreja Matriz em 1896 imprime em têmpera à óleo os painéis artísticos do teto. As paredes, as pilastras e colunas, foram decoradas com a técnica da escaiola (imitação de mármore) provavelmente pelo “capi-mastro” Felice Calvitto (o mesmo também faria a construção e decoração do “Panelão”, assim chamado o casarão do Capitão João Ferraz de Siqueira ). De Felice Calvitto também existem pinturas murais na sede da Fazenda Barra, em Guaxupé-MG.

O teto da Matriz

Este templo em formato de cruz latina e de concepção neogótica, tem o seu forro constituído de estuque argamassado com cal, areia, saibro e folhas de palmeiras, estruturado com taliscas de madeira. Sobre a massa fina de acabamento do teto foi executada uma elaborada decoração que assim dividimos:

Presbitério

O teto é todo em azul celeste com estrelas douradas, tendo no centro a pintura representativa da Santíssima Trindade (Deus Pai; a pomba representando o Espírito Santo e um pano com o rosto de Cristo coroado de espinhos). Este conjunto foi pintado com têmpera à óleo. Nos quatro arcos que sustentam o teto do presbitério encontramos as pinturas de quatro querubins com ramalhetes de margaridas e fitas.

Nave central

O ponto referencial de toda a pintura da Igreja Matriz é sem dúvida a cúpula central. Num espaço de aproximadamente 70 m², formam-se quatro espaços angulares delineados pelos arcos transversais de ogivas, onde o pintor Elia Napoli pintou à têmpera de óleo as figuras dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João, os quais flutuam entre nuvens, cercados de molduras de estilo “grottesche” e “trompe- l´oeil”, as chamadas quadraturas ou arquitetura falsa, que dá uma dimensão e projeção rumo ao infinito. Este conjunto pictórico é “sustentado” na área chamada pendente pelas figuras de quatro anjos pintados com têmpera de caseína.

Os tetos das abóbodas sequenciais da nave central são decoradas com têmpera de caseína, em cor creme e pontilhadas de estilizações da flor-de-lis (símbolos da realeza), com seus arcos diagonais decorados com motivos fitomórficos com tochas fumegantes pintadas em suas bases. Em cada espaço lateral foi pintado um emblema constituído de duas folhas de palmeiras cruzadas sobre uma cruz no centro. Uma fita passa sobre estes elementos com frases da oração em latim da “Ave Maria” (Na igreja toda perfazem um total de oito emblemas). Os arcos transversais são decorados com losangos azuis, tendo ao centro a flor-de-lis estilizada e pintada em ouro.


Naves laterais:direita e esquerda (num total de oito abóbodas )


Em cada abóboda, os tetos são pintados à têmpera de caseína em cor marrom com molduras de cruzes. Uma cruz ao centro; dois monogramas com as letras “MM” (representativas de Maria, mãe de Jesus) sobrepostas e cercadas de resplendores e dois emblemas com flores de lírio.


Transeptos direito e esquerdo – Teto superior do coro


Teto decorado com têmpera de caseína, em cor creme e pontilhadas de estilizações da flor-de-lis e arcos diagonais decorados com motivos fitomórficos.


Transeptos direito e esquerdo – Teto inferior do coro


Painel oval em cinza-azulado, com pintura central representativa do Espírito Santo (pomba) cercado de um grande resplendor. Nos cantos remanescentes pinturas trompe -l´oeil alusivas à Paixão de Cristo, em número de quatro: coroa-açoite-cruz / coroa-açoite-lança / coroa-açoite-escada / coroa-açoite-lança. Toda estas pinturas foram executadas em têmpera de caseína.

Nártex

Dentro de uma moldura com símbolos da cruz, no fundo cor creme foi pintado o brasão episcopal conforme descrição:

Episcopus Joseph de Camargo Barros. Episcopus Sanct Pauli.” Ladeiam dois ramos de café, com uma faixa central com os dizeres: Homennagem aos benneméritos que concorreram para a reconstrução desta Matriz no anno de 1905. (Conta-se, na tradição oral, que grande parte do reboco havia se desprendido, inclusive que pedaço da torre houvera caído, além de outras avarias que fizeram com que houvesse tal reforma nove anos depois de inaugurada).

Colunas e pilastras

-Na década de 1950, douradores do Rio de Janeiro efetuaram o aplique de ouro nos capitéis das colunas e pilastras da igreja.

Capela do Santíssimo

De 1951 a 1952, o pintor ribeirão-pretano Nicolau José Biagini, auxiliado por Alceu Antico, decorou a Capela do Santíssimo, em têmpera de caseína, em estilo florentino e renascentista, num rico mosaico decorativo com elementos sacros referentes aos Velho e Novo Testamentos. (O pintor usou a mesma decoração que havia feito anos antes, na capela da Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia, em StªRita do Passa Quatro-SP.)

Pe.Haroldo Ribeiro, pároco de Mococa pensava na possibilidade de decorar toda igreja no mesmo estilo, mas a ideia foi abandonada por questões financeiras.

Batistério

No teto do batistério uma singela pintura em caseína, com um cordeiro com uma cruz e cajado de pastor, deitado sobre palhas e entre nuvens e resplendores. Circundam-no vários querubins. Este conjunto é emoldurado em marrom no estilo trompe-l´oeil.

* * * * *

(*) Francisco Sérgio Pimentel, é conservador restaurador de patrimônio edificado, arte sacra , bens móveis e integrados. www.athelierpimentel.blogspot.com

Referencias:

-Jornal “A Mococa” - Edições várias

-Folheto: “Lembranças da Festiva Inauguração da Capela do Sagrado Coração de Jesus...)

1952 – Tipografia “A Mococa”.

-Site: Lusophia.portugalis.com