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domingo, 29 de maio de 2011

A escravidão em Mococa


Para elucidar um tema tão evitado por alguns e que aguça a curiosidade de outros se faz necessário senso acadêmico isento de julgamentos de valores como já escrevera Webber.

Até em meados do século XIX, conforme retratados em centenas de fontes primárias – cartas e diários de viajantes europeus que por aqui estiveram – era praticamente impossível a contratação de mão-de-obra assalariada no Brasil colônia. Cabendo assim inevitavelmente o comércio de escravos negros africanos para realizar todo e qualquer tipo de tarefa: Animal de transporte, lavrador, cozinheiro, tratador de animais, caçador de animais, alfaiate, carregador, fabricante de água ardente e açúcar; em suma todos os trabalhos eram realizados por escravos.

Revisando a literatura descrita por Três memorialistas pude perceber: Que em Mococa não ocorrera de forma diferente. No principio da povoação os braços que desbravaram a mata atlântica, foram dos escravos sob a supervisão de seus proprietários. Assim consta na obra de Queiróz, escrita no final do século XIX. Já Freitas na primeira metade do século XX também menciona a escravidão. Enquanto Paladini no final do século XX e inicio do XXI - não re refere ao tema escravidão- em uma tentativa de agradar as elites conservadoras e procurando construir a imagem de uma cidade que não existiu escravidão.

Instrumentos de tortura e aprisionamento de escravos. Museu Histórico Marquês de Três Rios.

Ao descobrir vestígios e traços deste passado - escondido por uns e esquecido por outros – me dediquei a pesquisa de historiador curioso para decifrá-los. Encontrando assim nos livros do cartório de notas do período de 1872 a 1888, ano este da abolição da escravatura. Centenas de cartas de compra, venda e empréstimo de escravos, assim como cartas de alforria. O Museu Histórico Pedagógico Marquês de Três Rios possui em seu acervo objetos que pertenciam às senzalas das fazendas da região.


Carta de compra de escravos. Livro do Primeiro Cartório de notas de Mococa.

Sendo assim, como negar um fato tão latente para a fundação da cidade? Segundo a obra de Queiróz em 1888 a cidade de Mococa possuía 1.000 escravos. Já o senso de 1892, ou seja, quatro anos após a abolição, a cidade possuía 3.000 negros. Deixando entender quem além dos 1.000 escravos existira uma população negra de mais 2.000 negros livres. Existe evidencias através de relatos de história Oral, que o Distrito de São Benedito das Areias e a zona rural onde hoje é conhecido como “Guardinha”, tenham sido Quilombos. Vale ainda salientar que São Benedito é um santo padroeiro dos negros.

Agora quanto à origem dos escravos que por aqui viveram, esta é um tanto quanto controversa. Pois a falta de documentos históricos nos impossibilita elucidar tais respostas, sem arriscar cometer anacronismo, que segundo Hobsbawn é o maior pecado que um historiador pode cometer. Muito provavelmente sejam oriundos das minas de minérios da Região conhecida como Villa Rica, hoje atual Ouro Preto e Mariana. Pois após a “era do ouro” os escravos foram readaptados nos cafezais da “era do café”, conforme conceitua o historiador Capistrano.

As elites cafeeiras em uma tentativa de “Embranquecer” a cidade e a tornar espelho da Europa e não da áfrica. Na ultima década do século XIX e nas subseqüentes duas primeiras décadas do século XX foram trazidos cerca de 3.000 mil imigrantes italianos e em um montante total de imigrantes europeus que somados passariam de 6.000.

Fora da flora civilizatória regada ao suor de escravos que se consolidou a fundação da cidade de Mococa e este fato jamais deve ser ocultado.

Bibliografia:

FREITAS, Edgar. Mococa 100 de História, 1847-1947.Mococa,Gráfica Costal,1947.

QUEIRÓZ, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. São Paulo, Editora Alfa e Omega, 2009.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O Fumo no principio da economia de Mococa.

Mercado de Tabaco,Thierry Fréres. 1835. Esta imagem possui direitos autorais. Faz parte da Biblioteca Nacional Digital.



A planta cientificamente conhecida como Nicotiana Tabacu também popularmente chamada de peti, petum, betum e pituma. Palavras estas derivadas da palavra petigma que significa Fumo em Tupi. Planta muito conhecida pelos povos espalhados pela América muito antes de ser descoberta.

Logo que levado à Europa foi difundido como fama medicinal sendo indicado para tratamento de dor de dente, lombrigas, febres, escorbuto, gota e inclusive com funções afrodisíaca, popularmente conhecida como erva santa.

Presente nos primeiros relatos de viajantes europeus que os nativos indígenas utilizavam o tabaco. Durante o século XVI era cultivado nas hortas das casas de colonos e em poucas décadas se tornara uma moeda de troca no escambo e para a compra de escravos africanos.

Porém foi em meados do século XVII que a produção tomou outras proporções deixando de ser caseira e se espalhando por diversas regiões da colônia, passando assim a uma proporção de longa escala. Tendo como berço desta produção incipiente a região Nordeste, mais especificamente na Bahia, Pernambuco e Maranhão e somente na “Era do Ouro”, espalhou-se pela região sudeste nos estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro e em menor escala pelo Estado de São Paulo. Toda a produção era condensada em forma de rolos ou manufaturados em pó, tendo como mercado a Europa, Índia e China.

A história do tabaco tem a marca da escravidão, pois era através do fumo que os europeus adquiriam escravos nas costas da África. Com os rolos de fumo eram pagos os milhares de escravos trazidos para o Brasil.


Os coronéis do café de Mococa em Tabacaria.Rio de janeiro.
Fonte:Museu Histórico Pedagógico Marques de Três Rios.

Na obra de Queiroz escrita no final do século XIX, o referente autor cita que no principio da economia de Mococa eram cultivados a cana-de-açúcar e o fumo. Neste caso o tabaco fora a importante moeda de troca na compra de escravos africanos para utilizarem como mão-de-obra nos canaviais e dentre outros serviços e mais tarde nas lavouras de café.

Hoje em dia acompanhamos as inúmeras campanhas antitabagistas que alertam os males que este produto acarreta a saúde. Enquanto que no principio do século XVI o fumo era divulgado na Europa com base na sua fama medicinal.

Fonte: Queiróz, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

Fonte: Lopes, Gustavo Acioli. Correntes de fumaça. PP.65- 69. Revista de história da Biblioteca Nacional. Ano 1, N° 8, 2006.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com



terça-feira, 17 de agosto de 2010

Duplicata do Banco de Mococa. Fundado em 1895


Duplicata do Banco de Mococa do ano de 1929.
Documento impresso, manuscrito e com selo do tesouro nacional
Fonte: Arquivo pessoal

Duplicata da Empresa J. Nicola & Irmãos.Fundada em 1888.

Duplicata de mercadorias ano de 1930-31.
Documento Impresso, datilografado, diversos carimbos de reconhecimento de pagamento e selo do tesouro nacional.
Fonte: Acervo pessoal.

domingo, 15 de agosto de 2010

Comércio em Mococa no inicio do século XX.

Foto de um armazém de secos e molhados.Mococa-SP

A cidade possuía cerca de 14 mil habitantes destes 6 mil na cidade e o restante no campo. 3 mil destes eram compostos por imigrantes italianos.

Em Números:

312 Casas de Comércio,

4 Farmácias

3 Hotéis

8 Restaurantes

6 Fábricas de cerveja

7 Fábricas de massas

4 Olarias

3 Bilhares

2 Marmorarias

5 Ferrarias

9 Marcenarias

2 Carpintarias

5 Ourives

9 Sapatarias

4 Selarias

24 Máquinas de beneficiar café movidas a vapor e 4 movidas à água.

Como podemos perceber no principio do século XX. A cidade mesmo após a queda no valor do café na virada do século XIX para o XX ainda possuía um comércio sólido e intenso. O que viera a ser abalado em meados da primeira guerra mundial em 1916 com o refluxo do comércio mundial, seguido de uma geada avassaladora que tostara todas as plantações da cidade. E a posterióri com a queda da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929 que veio a desestruturar a economia da cidade nas décadas posteriores. Ocorrendo um grande refluxo de capital e retração econômica que pode ser percebido até os dias atuais.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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Contato: clioprojetosculturais@gmail.com