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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O DIA EM QUE MORRI



Nasci em uma pacata cidade interiorana no nordeste do estado de São Paulo. Conhecida como Mococa. Como ocorre em toda cidade pequena, pude sentir na pele o que vem a ser o provincianismo. Minha mamãe querida desde muito cedo me ensinara o caminho das letras. Matriculando-me em escolas públicas e acompanhando meus estudos. Cobrando as tarefas diárias intermináveis enviadas pelas professoras.
Com 12 anos de idade aprendi o meu primeiro oficio com papai. Ajudante de pintor de parede. Trabalhava meio período e estudava à tarde. Cresci no bairro da Mocoquinha, onde ainda tenho amigos de infância e de parte da adolescência, tenho um profundo carinho pelos moradores de lá. Minha casa situava-se nos fundos da casa de vovó, uma doce pessoa que, recentemente, completara 94 anos de idade. Vendia seus doces de leite invejáveis no bairro. Quando acordava brava, chegava ao ponto de chamar Deus e o Diabo na ponta da faca!
Minhas férias escolares sempre passei no distrito de Milagres – MG, na casa de minha outra vovó. Andava a cavalo, nadava no rio das areias, invadia pomares dos vizinhos sem ser autorizado, tomava refrigerante de uma maneira peculiar, através de um furinho na tampinha para tomar bem devagar e demorar acabar. O café da manhã aprendi com vovô, que comia farinha de milho com leite de vaca. Bebia garapa, corria atrás de vagalumes na escuridão e escutava histórias de meter medo sobre o período da quaresma, que diziam que não se poderia sair à noite. Mas eu adorava a quaresma sabia? Por um único motivo: vovó dizia que, na quaresma, não podia bater em crianças, mas no sábado de aleluia, sim.
Sempre fui um menino levado, que sentava nas carteiras dos fundos da sala de aula. Recordo do fato que, para eu não falar com os outros alunos de minha sala, atrapalhando sua atenção à aula, me isolaram na frente de todos. Mesmo assim eu cantarolava sozinho. Não levava a sério os estudos. No entanto quando prestei o vestibulinho para a escola “Industrial”, por incrível que pareça, passei. Nessa instituição conclui o ensino médio e técnico que eram concomitantes. Terminara o ensino médio com o sonho de ingressar em uma Universidade Pública.
Trabalhei como pintor de paredes, segurança noturno, fazia e vendia artesanatos, tocava em bandas de Punk Rock, estampava camisetas, vendedor de roupas, até conseguir meu primeiro emprego de vendedor em um comércio da cidade, este com carteira registrada, depois ainda trabalhei em outra loja. Neste período continuei meus estudos, fazendo espanhol em um sindicato, e ingressei no ensino técnico no curso Turismo, assim me reaproximei do ambiente escolar, pois não tinha condições de pagar um cursinho.
Depois de muita insistência em três anos consecutivos, eu consegui finalmente ingressar na Universidade Estadual Paulista campus Franca. Pedi demissão de meu emprego para viver meu sonho que buscava há tempos. Fui bolsista durante três anos na faculdade, tinha de ter ótimas notas e não faltar às aulas, caso contrário, perderia o auxílio. Afirmo com toda certeza do mundo: foi o melhor período de minha vida, de amadurecimento, superação de dificuldades, das saudades da família e amigos, formação de novo círculo de amizades, que permanecem até os dias atuais e, principalmente, pelo conhecimento adquirido, tanto dentro da universidade assim como na vida cotidiana fora dela. Fiz viagens com a faculdade a congressos que me permitiram conhecer boa parte do Brasil, e vivenciar outras realidades.
Se é que existiu um dia mais feliz de todos em minha vida, este foi o dia de minha formatura. Estava estampada no rosto de meus pais a alegria, satisfação e o orgulho por aquela conquista, na qual eles tanto me apoiaram para que fosse atingida.
Ficou a saudade dos amigos, cada qual seguiu seu caminho, para lugares distantes. Permaneci em Franca de 2004 a 2009. Depois de me formar ainda lecionei por 2 anos em escolas públicas, fui professor de um cursinho popular da UNESP, voluntário sem remuneração. Consegui concluir um curso de pós-graduação na mesma instituição.
Depois de todo este tempo envolvido no meio acadêmico e em sala de aula, resolvi realizar o que considero a coisa mais incrível de minha vida. Viajar pela América Latina de carona com muito pouco dinheiro. Conheci quase toda a Bolívia: Lago Titicaca e Isla Del Sol, escalei a mais de 5620 m de altura na Cordilheira dos Andes. Boa parte do Peru, incluindo Puno, a capital folclórica deste país, Cusco, a capital Inca e Machu Picchu, um lugar simplesmente indescritível. Também não poderia deixar de conhecer o Chile e o Deserto do Atacama, o local mais árido do mundo. Banhei-me no Oceano pacifico, senti temperaturas que variaram abaixo de –20ºC, a +45ºC. Depois de passado um ano de férias merecidas andando pelo Brasil e América Latina, eu voltei a minha cidade natal, mas não seria para ficar para sempre.
Meus familiares necessitavam de minha presença para resolver coisas pessoais. Voltei meus estudos para as provas de concursos, retomei o estudo de línguas autodidata. Fiquei mais próximo de familiares e amigos. Só que havia esquecido o funcionamento das coisas por aqui. Pois ficara por 6 anos vivendo outra realidade, distinta em uma série de fatores. Literalmente depois e tomar vários banhos de multidões cosmopolitas não me lembrava do marasmo provinciano da terra natal.
Tentei transplantar idéias que conheci e vivenciei em outros lugares. Busquei à minha maneira, alguma forma de transformar a realidade da cidade. Só não sabia que ao ser reconhecido por poucos, muito poucos mesmo, eu estaria gerando sensações de mal estar, ciúmes, inveja e seja lá qual for à palavra para descrever o sentimento que ocorrera em muitas pessoas. Busquei entender o porquê, não consegui, talvez seja porque elas por aqui ficaram e em nada mudaram. Enquanto eu, o “Outsider” voltei com intuito de transformação o que foi confundido com “vontade de aparecer”.
De certa forma fui incompreendido tanto pelas elites e pelos mais abastados. Fui julgado e condenado pela esquerda assim como pela direita. Dessa forma fui condenado ao esquecimento, fui boicotado e tive de tomar diversos cuidados, pois ambos os lados queriam a minha cabeça, creio que o fato de sempre dizer o que penso. Ou ainda pelo fato de eu ter conseguido realizar meus sonhos e ter vivido uma vida íntegra e feliz. Por onde quer que eu tenha passado fiz amizades de valor inestimável.
Aprendi a não ter apego a bens materiais, preferi conhecer lugares à comprar um carro, escolhi pagar cursos de línguas à comprar computadores, consegui me desmaterializar.

Charge em alusão ao filme O sétimo selo.Bergman.1957
É chegado meu dia. O dia amanhece frio, cinza e triste. Chegara a minha hora. O tão esperado encontro com quem jamais queremos nos encontrar. Ela já estava a minha espera há tempos, nunca tive medo dela, sempre a encarei com naturalidade.
Antes disso, um velório simples, sem muitas cerimônias e honras, nada de flores, nem faixas, conforme eu havia pedido já previamente a minha família e amigos. Tocou-se muita música e, do lado de fora, servido cachaça.
 Também não percebeu-se choros, pelo contrário, muitas gargalhadas foram dadas com a lembrança de minha pessoa: engraçada, polêmica, provocadora, contraditória, encantadora, fiel, leal e amiga. Amigos vieram de muito longe para prestar suas últimas homenagens. Centenas de pessoas passaram pelo meu corpo, claro que a esmagadora maioria, para se certificar de que eu estava realmente morto.
Durante o velório entrara uma pessoa vestida toda de preto e encapuzada, esta descarregou uma arma em meu cadáver em exposição. Queria  certificar-se que eu estava morto. Ou seja, a morte viera me visitar duas vezes, ela também teve sentimento de repulsa por mim, pelo fato de ter vivido uma vida inteira à minha maneira, buscando ser feliz, sem invejar o próximo e muito menos desejar o mau a qualquer pessoa.
No enterro, assim como durante minha curta vida, não faltaram mãos para me empurrar para baixo. Misturado a terra havia centenas de quilos de sal marinho. Pois mesmo com a certeza de que eu estava realmente morto, depois de passar por duas autópsias e ficar sendo velado 24 horas, queriam ter a certeza de que ali não iria nascer nenhum ser vivo. Teve até um abaixo assinado on-line a favor de meu corpo ser cremado e da não doação meus órgãos.

Na lápide de pedra, bem humilde, esta estampada a seguinte frase: AQUI JAZ UM HOMEM QUE MORRERA REALIZADO E FELIZ.
Acontece que todo o ódio, rancor, ganância, falsidade, inveja e mesquinharia, ainda perpetuam nos corações mais infelizes e amargurados nos mais diversos cantos da cidade, em todas as classes sociais e políticas. E somente agora que me mataram por duas vezes pude entender que a principal regra de convivência, para parte da população desta cidade em que nasci é: “É PROIBIDO SER FELIZ”.  Eu ousei desrespeitá-la sem saber e paguei o preço. Nada mais justo, para eles é claro.
É preferível ter uma vida curta e FELIZ do que uma vida longa e repleta de INFELICIDADE.

Gustavo de Souza Pinto.  FOI (Técnico em Desenho de Arquitetura, Técnico em Turismo, Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)
Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

sexta-feira, 24 de junho de 2011

População segundo instrução, nacionalidade e sexo por paróquia

Colônia Italiana em Mococa-SP. Foto sem data e identificação.


Estado de São Paulo - 1890

Cidade - Mococa

Paróquia- São Sebastião da Mococa

Homens - 705

Mulheres - 392

Total brasileiros alfabetizados - 1.097

Homens - 336

Mulheres - 101

Total de estrangeiros alfabetizados - 437

Homens brasileiros e estrangeiros não alfabetizados - 3.739

Mulheres brasileiras e estrangeiras não alfabetizadas - 3.660

Total de não alfabetizados - 7.399

População Geral - 8.933


Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

domingo, 29 de maio de 2011

A escravidão em Mococa


Para elucidar um tema tão evitado por alguns e que aguça a curiosidade de outros se faz necessário senso acadêmico isento de julgamentos de valores como já escrevera Webber.

Até em meados do século XIX, conforme retratados em centenas de fontes primárias – cartas e diários de viajantes europeus que por aqui estiveram – era praticamente impossível a contratação de mão-de-obra assalariada no Brasil colônia. Cabendo assim inevitavelmente o comércio de escravos negros africanos para realizar todo e qualquer tipo de tarefa: Animal de transporte, lavrador, cozinheiro, tratador de animais, caçador de animais, alfaiate, carregador, fabricante de água ardente e açúcar; em suma todos os trabalhos eram realizados por escravos.

Revisando a literatura descrita por Três memorialistas pude perceber: Que em Mococa não ocorrera de forma diferente. No principio da povoação os braços que desbravaram a mata atlântica, foram dos escravos sob a supervisão de seus proprietários. Assim consta na obra de Queiróz, escrita no final do século XIX. Já Freitas na primeira metade do século XX também menciona a escravidão. Enquanto Paladini no final do século XX e inicio do XXI - não re refere ao tema escravidão- em uma tentativa de agradar as elites conservadoras e procurando construir a imagem de uma cidade que não existiu escravidão.

Instrumentos de tortura e aprisionamento de escravos. Museu Histórico Marquês de Três Rios.

Ao descobrir vestígios e traços deste passado - escondido por uns e esquecido por outros – me dediquei a pesquisa de historiador curioso para decifrá-los. Encontrando assim nos livros do cartório de notas do período de 1872 a 1888, ano este da abolição da escravatura. Centenas de cartas de compra, venda e empréstimo de escravos, assim como cartas de alforria. O Museu Histórico Pedagógico Marquês de Três Rios possui em seu acervo objetos que pertenciam às senzalas das fazendas da região.


Carta de compra de escravos. Livro do Primeiro Cartório de notas de Mococa.

Sendo assim, como negar um fato tão latente para a fundação da cidade? Segundo a obra de Queiróz em 1888 a cidade de Mococa possuía 1.000 escravos. Já o senso de 1892, ou seja, quatro anos após a abolição, a cidade possuía 3.000 negros. Deixando entender quem além dos 1.000 escravos existira uma população negra de mais 2.000 negros livres. Existe evidencias através de relatos de história Oral, que o Distrito de São Benedito das Areias e a zona rural onde hoje é conhecido como “Guardinha”, tenham sido Quilombos. Vale ainda salientar que São Benedito é um santo padroeiro dos negros.

Agora quanto à origem dos escravos que por aqui viveram, esta é um tanto quanto controversa. Pois a falta de documentos históricos nos impossibilita elucidar tais respostas, sem arriscar cometer anacronismo, que segundo Hobsbawn é o maior pecado que um historiador pode cometer. Muito provavelmente sejam oriundos das minas de minérios da Região conhecida como Villa Rica, hoje atual Ouro Preto e Mariana. Pois após a “era do ouro” os escravos foram readaptados nos cafezais da “era do café”, conforme conceitua o historiador Capistrano.

As elites cafeeiras em uma tentativa de “Embranquecer” a cidade e a tornar espelho da Europa e não da áfrica. Na ultima década do século XIX e nas subseqüentes duas primeiras décadas do século XX foram trazidos cerca de 3.000 mil imigrantes italianos e em um montante total de imigrantes europeus que somados passariam de 6.000.

Fora da flora civilizatória regada ao suor de escravos que se consolidou a fundação da cidade de Mococa e este fato jamais deve ser ocultado.

Bibliografia:

FREITAS, Edgar. Mococa 100 de História, 1847-1947.Mococa,Gráfica Costal,1947.

QUEIRÓZ, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

PALADINI, Carlos Alberto. Assim nasceu Mococa. São Paulo, Editora Alfa e Omega, 2009.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

sábado, 2 de abril de 2011

Cine Mococa


Primeiramente gostaria de deixar claro que não pretendo demonizar nenhuma gestão de diretoria e nem mesmo endeusar a atual ou anteriores. Acredito que agora não seja hora de “culpabilizar” e sim de mobilizar e buscar revigorar o único cinema da cidade.

O cinema considerado templo incontestável do entretenimento. Desde seu surgimento muito antes da invenção da televisão, sempre ditou moda, incentivou a mudança de comportamentos, influenciando gostos, moldando os telespectadores por meio da emoção. Ou seja, além de templo do entretenimento se transformou no decorrer do tempo também em templo das emoções. Tornando Possível o exercício do estar junto, do compartilhar sentimentos, e de fortalecer os laços afetivos.


Uma coisa é fato, o patrimônio material sempre vai ser patrimônio material. Ou seja, o prédio do cine Mococa sendo cinema ou se transformando em templo religioso não vai deixar de ser lembrado como patrimônio material desde que não seja modificado a sua estrutura física. E às vezes as pessoas confundem isso, ou si quer entende o significado da palavra patrimônio. O que desapareceria seria a cultura do cinema, neste caso o “patrimônio imaterial”. Sendo assim o templo do entretenimento se transformaria em templo religioso como ocorrera na maioria das cidades interioranas. Os templos do consumo “shoppings” que abriga os tempos do entretenimento, “cinemas”. Acontece que no caso de Mococa, não existe o templo do consumo. Assim seria extinto o único templo do entretenimento. De pensar que em épocas áureas tivemos dois cinemas e ambos de casa cheia. O que ocorrera para tamanha degradação e falta de procura ? Busquemos compreensão através dos fatos.

Acontece que o tempo passa. As gerações mudam de mentalidade e o costume de ir ao cinema, paquerar, sair e ir a praça ver a banda tocar não faz parte da mentalidade dos jovens. É a geração tecnológica Orkut, MSN, face book, twitter... A geração liquida. O vinil foi substituído pelo CD, o VHS pelo DVD e agora já se fala em Blue Ray. Ou seja, as tecnologias são substituídas conforme as descobertas, umas ficam obsoletas e outras mais avançadas. Antes de um filme estar na telona já é possível baixá-los pela internet e colar a legenda. Porém não é a mesma coisa assistir em casa, o individualismo tomou conta da sociedade contemporânea. Para que se reunir no cinema se é possível falar com diversas pessoas pelo MSN? Pipoca só de microondas, os pipoqueiros foram aposentados ou trocaram de profissão, agora se tornaram vendedores de yogurt congelado.

Infelizmente o ser humano desde os primórdios só aprende a dar valor em determinadas coisas quando as perdem. No nosso caso ainda esta em tempo de valorizarmos antes que percamos o ultimo cinema da cidade e que fiquemos sem uma das poucas formas de entretenimento que ainda resiste no “sertão do pardo”.

Associe-se, freqüente o cinema. Convide familiares, amigos, leve as crianças, os idosos. E porque não a paquera, pois beijar no escurinho do cinema jamais vai ser démodé.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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sábado, 19 de março de 2011

O que é Caipira? E o falar do caipira?

Segundo a Bibliografia especifica do termo os historiadores:

“ O termo caipira expressa um modo de ser, um tipo de vida, nunca um tipo racial, restringindo-se a história paulista”. Segundo (CANDIDO, 1987).

“Caipira era o individuo nascido e criado fora da cidade. Geralmente trabalha em sua própria terra, mas quando isto não é possível, trabalha jornal, em terras de outros como camarada.Os homens, mulheres e crianças ditos caipiras ocupavam uma extensão de terra e lá ficavam suas benfeitorias e plantações, tiravam daí o sustento e elaboravam, em torno do rancho, um modo de viver, comer,acreditar e trabalhar, que não impediu sua articulação com o conjunto de sociedade.” (Pires,1922).

O português brasileiro regionalizado falado na divisa do Estado de São Paulo com Minas Gerais, onde se situa a cidade de Mococa. Tem um sotaque diferenciado e característico, com um falar popular diferenciado das demais regiões de ambos os Estados.

Foto de uma Carroça de leite. Mococa-SP 1922

E como esta forma lingüística regional não convencional ao ser falada em outras regiões do país e principalmente na capital do Estado de São Paulo, sofre o estigma. Muitas vezes não é considerada correta, vista como feia e vulgar. Porém estudos como do sociolinguista Marcos Bagno, que afirma do ponto de vista da lingüística cientifica, não existe nenhuma diferença entre ”nós vamos” e nóis vai”. É óbvio que não se vai escrever dessa maneira, o que importa é que quem fala e quem escuta se compreenda.

Ocorre desta foram uma discriminação desta linguagem regional carregada de sotaques e expressões que ao ouvinte desavisado parece estranho e muitas vezes se confunde com algum dialeto.

Porem buscando compreender mesmo que superficialmente, como se constituiu a formação desta linguagem em uma mistura de português de Portugal com línguas indígenas, posteriormente com dialetos africanos e línguas européias como o italiano, espanhol e também árabe. Desta forma a linguagem regional se transformou paulatinamente com o decorrer do tempo.

Foi da fusão cultural que surgiu essa linguagem regional, considerada caipira. Carregada de preconceito esta rica linguagem regional heterogênea é fruto de costumes interioranos, musica típica, culinária, crenças e dentre outros fatores que caracteriza o porquê de se utilizar esta linguagem.

Bibliografia:

CANDIDO, Antonio.Os parceiros do rio Bonito: Estudos sobre caipira paulista e a formação dos seus meios de vida.7 Edição, São Paulo: Duas cidades, 1987.

FREITAS, Edgar. Mococa 100 de História, 1847-1947.Mococa,Gráfica Costal,1947.

PIRES, Cornélio. Conversas ao pé do fogo: Estudinhos, costumes, contos, anedotas e scenas da escravidão. São Paulo: Imesp, 1922.

QUEIRÓZ, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os imigrantes e a culinária em Mococa.PARTE III

Mercado Municipal de Mococa-SP. Década de 1920.

Após 1888, data da abolição da escravatura, se faz necessária a substituição de mão-de-obra escrava. Eis que a cidade passa a receber uma massa de imigrantes, em sua esmagadora maioria de Italianos, cerca de 9.000 e em menor escala também de alemães, austríacos, espanhóis, portugueses e libaneses. Este terceiro período denominado de Cosmopolitismo culinário no sertão do Pardo.
Cosmopolitismo este possível graças ao eldorado do café. A partir da última década do século XIX e meados da primeira década do século XX, Mococa passa por verdadeiras transformações tanto no âmbito da urbanização, a inaugurarão de espaços públicos como o Mercado Municipal em 1898, iluminação em 1905 e água e esgoto em 1908, matadouro municipal em 1912; assim como a construção de grande parte dos casarões históricos. Sem nos esquecermos dos trilhos do trem em 1890, que propicia toda a vinda da modernidade, transportando as colheitas de café ao porto de Santos e trazendo de volta mercadorias e informações.
As chamadas “vendas”, espaços rudimentares de comércio de alimentos passam a serem substituídas pelos “Armazéns de Secos e Molhados”. Estabelecimentos mais requintados passam a comercializar azeites, vinhos, massas, talheres, tecidos, louças de origem européia. Surgem também com os desdobramentos da urbanização: as primeiras padarias, fábricas de licores, cervejarias, fábricas de refrigerantes, macarrão e massas; dentre outros produtos industrializados.
As transformações se dão também no âmbito culinário, pois cada imigrante traz consigo um capital cultural conforme conceitua Bourdieu (2003), e culinária tradicional de cada região, neste caso de diversas regiões da Europa e Oriente. Sem nos esquecermos de mencionar também a cultura hibridizada de cada grupo de imigrante.




Gustavo de Souza Pinto

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O CAFÉ E SEUS DESDOBRAMENTOS NA CULINÁRIA DE MOCOCA-SP DE 1840 A 1918 PARTE II

O histórico do café


Segundo arqueólogos, o café teve como berço o continente africano e depois de descoberto pelos árabes veio a ser difundido por outras partes do mundo através da expansão árabe.


A Associação Brasileira do café e Franco descrevem que o café é de origem da Etiópia, centro da áfrica, e seu nome vem da palavra árabe qahwa, que significa vinho, assim o café era conhecido como vinho das árabias.(MATSUMOTO, ROSANELI, BIANCARDI, p.10, 2008)


Segundo Sodré (1998), o café chegou ao Brasil após a fuga de D. João VI vindo inicialmente, para o Rio de Janeiro, devido a invasão das tropas napoleônicas a Portugal. A primeira atitude tomada em retaliação foi invadir a Guiana Francesa e, foi desta invasão, que os lusitanos furtaram habilmente do governo de Caiena as mudas de café.

A agricultura deu-se inicialmente ao norte e centro-oeste. E somente por volta de 1770 veio a ser difundida no sudeste onde encontrou um habitat propício. Região esta, no Estado de São Paulo, entre os rios Mogi-Guaçu e Pardo considerada por Prado (1970) o núcleo produtor do melhor café Brasileiro que se torna mundialmente famoso.


Breve história de Mococa


A cidade de Mococa localiza-se na região nordeste do Estado de São Paulo. Segundo conta os dois principais memorialistas, Freitas e seu contemporâneo Paladini, o povoado, até então conhecido como São Sebastião da Boa Vista, em meados de 1840, passa em 1857 a ser considerada Freguesia, em 1871, Vila, e somente em 1875 veio a ser considerada cidade oficialmente. O nome vem da seguinte designação segundo Freitas (1947):

Por volta de 1884 surge a denominação vulgar mococa termo que partiu expontaneo... A expressão lhe viera a vista das casinhas que lhe apresentavam e as quais chamou mucoquinhas.Segundo La Fayete de Toledo, a etimologia de vocabulário é a seguinte: Mu pequeno; Co- esteio e Oca- casa, resultando daí a expressão Mucoca- casa de pequeno esteio.(FREITAS,p.8,1950)


A primeira lavoura de café, foi plantada em 1842, exatos 33 anos após a primeira lavoura do Estado de São Paulo ter sido plantada na cidade de Campinas a 160 Km de Mococa. Os primeiros habitantes eram "caipiras" que segundo Moura (1998), são indivíduos nascidos e criados fora da cidade, com forma peculiar de vida do campo.

Conforme a mata era derrubada e substituída por cafezais alinhados, concomitantemente era praticada a agricultura dos produtos básicos: o arroz, feijão, milho, mandioca. Em menor escala cana-de-açúcar para rapadura e cachaça. Criação de gado de corte para o consumo e porcos que produzia toucinho, carne e banha para a conservação de alimentos. Percebe-se então que, a base alimentar que constituía a culinária, deste que denomino primeiro período é baseada na culinária caipira rudimentar.


Os escravos e a culinária:


No que pontuo como o segundo período de culinária, diz respeito à culinária africana praticada pelos escravos trazidos para suprir a mão-de-obra nos cafezais. Estes tiveram que adaptar a culinária específica de suas origens com os produtos até então, encontrados nesta região no referido período.

A maneira africana de preparar alimentos assimilou elementos culinários e pratos típicos portugueses e indígenas, transformando as receitas originais e dando nova forma a cozinha brasileira. (ALMEIDA, RECH, p.2, 2007)


Ou seja, os escravos africanos passaram a fazer uma verdadeira fusão entre a culinária africana e a culinária caipira, pois estes dois extratos sociais tinham uma base alimentar semelhante. Obviamente que os escravos tinham de se contentar com os restos. Restos estes, que se transformaram no principal prato brasileiro: a feijoada. Elaborada com feijão preto, orelhas, pés, focinho de porco, partes estas sem valores comerciais.

Gustavo de Souza Pinto

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Enchente de 1929

Ribeirão do Meio e suas águas calmas.

No dia 9 de fevereiro de 1929, antes que o novo prefeito tivesse um mês de exercício, depois de chuvas intensas e constantes as águas do ribeirão do meio começaram a subir, depois das 16 horas. E antes que as sombras da noite envolvessem por completo a terra, toda a zona ribeirinha fora invadida pelas águas barrentas da maior enchente que a população conheceu em todos os tempos da história.

As águas tomaram as ruas e casas, arrastando muros, paredes, mobílias, sacarias e artigos diversos de armazéns, e deixou ao desabrigo inúmeras famílias que o Asilo e a Santa Casa, bem como as residências das zonas altas recolheram provisoriamente...

No dia seguinte, amainada a torrente, é que se poude verificar os enormes prejuízos, públicos e particulares. Das nove pontes da cidade apenas cinco resistiram á violência das águas. Famílias inteiras ficaram desamparadas com as casas ruídas e, muitas delas, completamente sem móveis... Para reparos das obras públicas danificadas a Câmara votou uma verba de CR$ 150.000,00 ... (Freitas, pp.229-30, 1947)

Fonte: Freitas, Edgard. Mococa- 100 anos de história.Mococa: Gráfica Costal, 1947.

Em janeiro de 2007 a cidade viria a conhecer a segunda maior enchente de sua história que causou estragos em todo o entorno do ribeirão do meio. Trazendo prejuízos incalculáveis a todos os moradores e comerciantes ali instalados.

Isso me faz recordar uma frase de um grande ensaísta “Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprime. (Bertolt Brechet)

As águas calmas do ribeirão do meio surpreendem com suas cheias repentinas, e durante mais de três quartos de século as obras realizadas não foram suficientes para conter as enchentes. Os povos Quíchuas conhecidos popularmente como "Povos Incas" acreditam que a história é cíclica. Neste caso os fenômenos naturais acontecem, pois já teriam acontecido antes e após um período ocorre o re-acontecimento. Seriam estes mistérios inexplicáveis pela história? Que só quem viver verá? Neste caso ocorreu uma vez a cada século.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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sábado, 7 de agosto de 2010

Censo de 1891.

Estação da Mogyana.Mococa-SP


Censo de 1891.

População – 7731

Casados – 2937, Solteiros – 4551, Viúvos – 243, Masculinos – 4324, Femininos – 3407, Brancos - 4932, Pardos – 1203, Caboclos – 434, Pretos – 1203.

De edade inferior a 14 annos 2993;de 14 a 21,1268; de 21 a 40 annos, 2489;de mais de 40 annos, 981.

De filiação legitima 7089; illegitima 642.

Sabendo ler,1579; não sabendo ler, 6152.

São catholicos 7723, mahometanos 8.

Expostos 32; cegos 18, surdos-mudos 42, idiotas 47, aleijados 73.

Fonte: Queiróz, Humberto de. A Mococa, de sua fundação até 1900. São Paulo: Tyo. Diário oficial, 1913.

Interpretando os dados

Os dados acima foram retirados da obra de Queiróz e diz respeito aos dados do censo de 1891, respeitando a fonte original mantive o português da época.

Analisando estes dados podemos constatar que o numero de homens era maior que de mulheres. A maioria Branca e em menor escala a outra segunda parte dividida entre negros e pardos. Levando em conta a quantidade de negros estima se que estes seriam ex-escravos e alforriados, pois o censo é de 3 anos após a abolição da escravidão.Uma população formada pela esmagadora maioria abaixo dos 40 anos de idade. E uma minoria de pessoas acima de 40 anos.

Desde esta época já possuía filhos sem paternidade assumida quase que 10% da população. Já no que diz respeito à escolaridade, 84% de analfabetos, dados muito gritante para uma cidade. Quanto à religiosidade um dado bastante interessante a existência de islâmicos em Mococa. Pode-se interpretar que estes eram imigrantes árabes que vieram nas ultimas décadas do século XIX e ou ex-escravos islamizados da etnia Malês.

Os últimos dados são relativos às pessoas com algum tipo de deficiência física e ou mental.

Tais dados são de suma importância para compreender a conjuntura socioeconômica do inicio da ultima década do século XIX.

Em minha carreira de pesquisador e incipiente produção de artigos acadêmicos, pude constatar um fascínio por arquivos, acervos e obras de época. São fontes históricas que servem para interpretar adequadamente os fatos e elucidar o passado, trazendo à tona uma melhor compreensão do presente.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

http://lattes.cnpq.br/6467391538040938

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

quinta-feira, 22 de julho de 2010

SANTA CASA DE MOCOCA




A cidade de Mococa, por fazer parte da “Belle Epóque” caipira, com os desdobramentos da urbanização relâmpago que ocorrera principalmente no final do século XIX e inicio do século XX . A cidade tinha aproximadamente 14.000 habitantes segundo senso da época.

E foi para suprir as necessidades de saúde pública desta população, que alguns fazendeiros de café tiveram a iniciativa de criar a Santa Casa de Misericórdia. O nome se deu devido à doação de um prédio, antigo Colégio das Freiras, para que este fosse utilizado a fins de caridade. Testamento este deixado pela então enfermeira Carolina Emilia de Figueiredo, ficando então batizada mais tarde a instituição de: Santa Casa de Misericórdia D. Carolina de Figueiredo.

O projeto aprovado foi do arquiteto italiano Gherardo Bozzani, para angariar fundos para a construção do mesmo passou-se a organizar quermesses. Onde ocorriam bingos, leilões e sorteios, com ofertas doadas pelos fazendeiros e do comércio local.

Eis que em novembro de 1911 a Santa Casa passa a abrigar seus primeiros pacientes na enfermaria. O principio do trabalho de caridade em Mococa, onde médicos, farmacêuticos, enfermeiros e as irmãs de caridade da Irmandade Sagrado Coração de Jesus da Itália, realizavam trabalho filantrópico atendendo os mais necessitados gratuitamente.

Em 1945 o chefe de governo Fernando Costa libera uma verba para a construção da maternidade que fora inaugurada em outubro de 1949. A maternidade fora batizada como o nome da viúva Anita Costa, pois antes mesmo da inauguração Fernando costa morrera de acidente.

Durante o inicio da década de 1950, juntaram-se esforços para a construção da capela de Santa Isabel considerada a rainha das caridades e padroeira dos hospitais. Sendo inaugurada mesmo que inacabada em 1952 com recursos advindos também de quermesses.

E paulatinamente, foram sendo inaugurados os outros pavilhões: Pediatria inaugurada em 1979, Ala da solidariedade em 1996, UTI Solidariedade em 1998 e o novo Centro Cirúrgico em 2005.

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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Para saber mais:

Santa Casa de Mococa-100 anos de Misericórdia.1 Edição, Dezembro de 2007. Jean Mendes:imagens e Emmanuela Pio Guimarães Mendes Texto.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um dia para não se passar em branco

Foto de objetos utilizados no período da escravidão em Mococa. Museu histórico pedagógico Marques de Três Rios


Um dia para não se passar em branco


No dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel assina a lei Áurea, colocando fim a escravidão negra no Brasil. Vale ainda ressaltar que foi o ultimo pais das Américas a abolir a escravidão, e esta só foi possível após uma pressão econômica exercida pela então potencia Inglaterra.Devido ao desenvolvimento do capital industrial e crise no sistema colonial tradicional.

A escravidão é um pratica existente desde a antiguidade e muito comum na sociedade grega assim como na romana. Do mesmo modo também existiu no continente africano, em seu mosaico de etnias negras. Formado por Impérios que a exercia sobre as tribos dominadas e existia inclusive comércio de escravos no próprio continente africano.

E afinal porque os negros africanos foram trazidos para o então “Novo Mundo”?

Dois fatores foram fundamentais, primeiro que os índios tupiniquins se evadiam para as matas e em um processo de interiorização dificilmente eram capturados para serem escravizados. E segundo que estes não estavam habituados ao trabalho escravo. Portanto os negros foram mão-de-obra qualificada ao trabalho agrícola, pecuária, artesanato,mineração e transporte.

E qual seria a origens destes escravos Africanos?

Sudaneses- Oriundos de onde hoje conhecemos como Nigéria. Bantos- Oriundos de Angola e Moçambique. Malês- Sudaneses Islamizados.

As rotas do tráfico negreiro partiam principalmente de Guiné, Congo e Moçambique. E aportava em Salvador, Recife e Rio de Janeiro. E desta forma o comércio de escravos fomentou a economia mundial por 400 anos. E segundo fontes históricas oficiais acredita-se ter sido retirado da África cerca de 12.521.337 de pessoas. Destas no Brasil aproximadamente 4.864.374, o que equivale a 45,41 % de toda a América.

Como é impossível pensar em café sem escravidão, ainda nos dias atuais encontramos memorialistas que se passam por historiadores, que afirmam não ter existido escravidão na cidade de Mococa. Porém fontes históricas comprovam a existência. E outra que a escravidão não era considerada crime até em meados de século XIX. Não sei o porquê de se esconder tal prática? Porém é fato que o tema ainda é uma feriada aberta em muitas famílias “tradicionais” da cidade, que desconversam a respeito do assunto.

Há pouco mais de um século fora assinada a lei que emancipou os escravos. Porém fica aqui uma ultima pergunta. Fora abolida a escravidão, porém será que a igualdade é plena?

Gustavo de Souza Pinto

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

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Contato: clioprojetosculturais@gmail.com

Para saber mais:

- "Aos meus Romanos", Ina von Binzer, Paz e Terra, 1998
- "Correio Braziliense" ou "Armazém Literário", Hipólito José Costa, Imprensa Oficial, 2001-2003, 31 vols.
- "Casa-Grande e Senzala - Formação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal", Gilberto Freyre, Record, 2000
- "As Vítimas-Algozes - Quadros da Escravidão", Joaquim Manuel de Macedo, Scipione, 1991
- "O Negro Brasileiro", Arthur Ramos, Graphia, 2001
- "Representação à Assembléia Constituinte do Brasil sobre a Escravatura" in "Projetos para o Brasil", José Bonifácio de Andrada Silva, Publifolha, 2000
- "Considerações Econômicas sobre a Escravatura" in "Revista Niterói", F. S. Torres-Homem, edição fac-similar coordenada pela Academia Paulista de Letras, 1978
- "A Chave dos Profetas", Antonio Vieira, Fundação Biblioteca Nacional, 2000
- "O Trato dos Viventes - Formação do Brasil no Atlântico Sul", Luis Felipe Alencastro, Companhia das Letras, 1997
- "
Em Costas Negras", Manolo Florentino, .Companhia das Letras, 1997
- "A Vida dos Escravos no Rio de Janeiro", Mary Karasch, Companhia das Letras, 2000
- "Segredos Internos - Engenhos e Escravos na Sociedade Colonial", Stuart B. Schwartz, Companhia das Letras, 1988
- "Escravos, Roceiros e Rebeldes", Stuart B. Schwartz, Edusc, 2001
- "Devotos da Cor", Mariza de Carvalho Soares, Civilização Brasileira, 2001

quarta-feira, 14 de julho de 2010

História do Radium Futebol Club.

No dia 1º de maio de 1919 foi fundado na cidade de Mococa o Radium, da fusão do Operário FC e do Mocoquense FC. Recebeu este nome como forma de homenagem ao elemento químico recém-descoberto pela cientista francesa Madame Curie: o Radium (que anos depois passou a se chamar Rádio), que pressupunha força, potência e energia.

Do ano de sua fundação até 1948, o clube disputou competições amadoras e torneios regionais e a partir de 1949 ingressou nas competições profissionais, no Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Além disso, o Radium desde que nasceu utilizou o mesmo escudo e as mesmas cores, o verde e branco, assim ficando conhecido como “Verdão da Mogiana”.

Logo em 1950 a equipe (foto) conseguiu seu primeiro título, o de campeã da “Segundona”, e com essa conquista, teve o direito de participar da Primeira Divisão no ano seguinte. Esteve na elite do futebol estadual ao lado de Corinthians, da Portuguesa de Desportos, e do São Paulo, entre outros, por duas temporadas: 1951 e 1952.

Após ficar o ano de 1953 sem competir profissionalmente, voltou em 1954 no então Campeonato Paulista da Primeira Divisão (equivalente a atual Série A2), competição que disputou até 1957. No ano seguinte, mais um período longe dos torneios profissionais, com o retorno em 1961 na Terceira Divisão Estadual.

De 1962 até 1976 o clube esteve mais uma vez longe dos campeonatos profissionais, voltando na “Terceirona” de 1977, divisão que permaneceu até 1979, quando ao lado do Amparo e do Lemense conseguiu o acesso à Segunda Divisão de 1980. Ainda neste ano, o clube realizou o primeiro amistoso internacional da história contra a Seleção da Arábia Saudita.O resultado foi 4 a 1 para os brasileiros.

Em 1988 o clube de Mococa foi rebaixado e disputou por dois anos o Campeonato Paulista da Segunda Divisão (equivalente a atual Série A3), quando em 1990 novamente obteve o direito de subir uma divisão e chegar à Série Intermediária, competição que esteve inscrito por quatro temporadas.

Em 1994 disputou o Campeonato Paulista B1A, equivalente à quarta divisão do futebol estadual, e continuou nesta competição até 1996. Nas temporadas de 1997 e 1998 esteve ausente do profissionalismo e no ano seguinte, em 1999, disputou a Série B1B.

Do ano 2000 até 2003 participou do Campeonato Paulista da Série B2 e neste meio tempo, entre 2001 e 2003, esteve presente em três edições da Copa São Paulo de Juniores, sendo eliminado na primeira fase de todas. Em 2005 passou a competir na Segunda Divisão Estadual (que é na verdade a 4ª da Federação, composta por A1, A2, A3 e Segunda Divisão).

Passaram pelo Radium grandes nomes do futebol paulista, talvez o mais conhecido tenha sido Gilmar Justino Dias, o "Mococa", ex-volante do Palmeiras.

Fonte: http://www.radiumfc.com.br/ Site oficial do club.

Hino do Município de Mococa.

Hino do Município de Mococa.
Letra por Elvira Dinamarco e José Barreto Coelho
Melodia por Elvira Dinamarco e José Barreto Coelho

Cidade centenária,
o teu povo quer te festejar,
lembrando a tua História,
para que todos venham te saudar.

Do alto do Cruzeiro,
se avistavam casinhas singelas,
e se dizia que elas,
as casinhas
se chamavam mocoquinhas.

Teu nome, então, Mococa,
daí surgiu num brado,
e logo se espalhou
ao povoado.

Mais gente foi chegando,
de fibra e religião,
fez-se a Paróquia de São Sebastião.

Mártir Padroeiro,
é de Mococa, o guarda protetor.
Foi também guerreiro,
e deu a Pátria sua vida e seu amor.

terça-feira, 13 de julho de 2010

História de Mococa "Español"

Mococa

La ciudad de Mococa se encuentra en el nordeste del Estado de São Paulo. Según consta en fuentes históricas, en el corazón del periodo Imperial: el pueblo, hasta entonces conocido como "São Sebastião da Boa Vista" en mediados de 1840. En 1857 pasa a ser considerada distrito parroquial. En 1871, Villa, y solamente en 1875 vino a ser considerada ciudad oficialmente.

El nombre viene de la siguiente designación: Mu - pequeño; Co - amparo e Oca - casa, resultando de ahí la expresión Mucoca - casa de pequeño amparo. En 1842, fue implantada la primera plantación de café, viniendo a generar ciudades y ciudadanos. Lo que imposibilita pensar en café sin esclavos, estos venidos de África para suplir la mano de obra en los cafetales. Después de 1888, fecha de la abolición de la esclavitud, se hace necesaria la sustitución de mano de obra esclava.

Ahí es que la ciudad pasa a recibir una masa de emigrantes, en su mayoría de italianos, cerca de 9.000 y en menor escala también de alemanes, austriacos, españoles, portugueses y libaneses, para esa sustitución de la mano de obra. Como resultado, hubo una fusión cultural y cosmopolita en pleno "sertão do pardo", periodo este conocido como la "Belle époque caipira" (Bella época del campo), calificando Mococa como una de las principales ciudades productoras del mejor café de Brasil.

La floración civilizadora del café pasa a dar origen a la última aristocracia (los estancieros de café), tornándolos la elite social brasileña.

Pues entre 1914 y 1918, periodo de la Primera Guerra Mundial, ocurre la desorganización del comercio internacional, destruyendo la estructura de la economía cafetalera debido a la retracción de los mercados consumidores. A partir de este periodo los estancieros pasan a invertir en la ganadería de leche. En 1932, la ciudad pasa a ser "Front de la Revolución" constitucionalista en el conflicto entre mineros y paulistas.

Tierra ésta, cuna del escultor Bruno Giorgi, y del comediante Rogério Cardoso. Tiene como atracciones turísticas el centro histórico, diversas iglesias, museos y la Casa de la Cultura, turismo rural y turismo de eventos: deportivos como el trofeo "Chico Piscina" y "Kim Mollo", y de eventos como la "Semana Universitaria Mocoquense".

Gustavo de Souza Pinto (Bacharel, licenciado e Pós-graduado em História. UNESP-Franca)

Traducción: Prof. Martin Reyes Rodríguez

(Bacharel, licenciado e Pós-graduado em Letras Espanhol / Português / Literatura. UNIFRAN- Franca)

Contato: clioprojetosculturais@gmail.com